
O último dia no Chile foi o dia em que comemos melhor. Fizemos reserva dias antes em dois restaurantes mais disputados, para garantir que íamos conhecê-los. O primeiro foi o mexicano Como Agua para Chocolate, restaurante que faz referência ao famoso livro de Laura Esquivel, onde fiz a minha melhor refeição no país e uma das melhores de todos os tempos. Além do local ser lindo e muito agradável, a comida estava sensacional, até hoje sonho com minhas Fajitas Vegetarianas, compartilhadas com uma amiga, já que é um prato que eles sugerem dividir. Comemos muito e ainda sobrou! Tortillas de trigo com legumes e verduras salteadas, queijo, arroz, guacamole, creme de coentro e creme azedo.

Nesse dia, éramos 6 à mesa e duas pessoas pediram peixe: Salmon a las finas hierbas, salmão grelhado com molho de ervas e legumes salteados, e Corvina al Fuego, peixe flambado no rum (a garçonete chega com o prato em chamas na mesa) com risoto da casa.

Os demais pediram carne: Filete al Lodo, medalhões de filé com cogumelos, cebolas e legumes com doce de abóbora e Las Costillas de Quersen, costelas sobre purê rústico com redução de vinho e mel.

Você pode passar horas admirando os detalhes do restaurante, como uma mesa com formato de cama, uma linda fonte, vitrais, as cores das paredes, objetos… E ainda vai ouvir uma ótima música latina ao vivo, num volume que vai permitir você conversar. Como estávamos fartos, pedimos apenas duas sobremesas para todos da mesa provar. Como Agua para Chocolate, um doce feito com 3 tipos de chocolates belgas num molho de framboesa, e Amor entre Blancos y Negros, brownie com musse de queijo, amêndoas e frutas silvestres. Eu só provei do segundo e estava bom, mas nada que chegasse no nível dos pratos principais.

Saindo de lá, andamos alguns quarteirões e fomos conhecer outra casa do Neruda: La Chascona. Não sei se porque a guia que nos recebeu estava muito cansada e apressada, eu acabei tendo a sensação de ter gostado mais da outra casa que visitei. Mesmo assim, é tudo lindo, vale demais conhecer.

À noite foi a vez de fecharmos a viagem no chileno Aqui esta Coco. O ambiente é ora sofisticado, ora cafona, ora bizarro, tudo ao mesmo tempo. As mesas são bem próximas umas das outras e o serviço, um pouco rápido demais. A sensação que dá é que eles querem que você coma o mais rápido possível para dar espaço a outros fregueses e, por outro lado, tem aquele excesso de atenção que incomoda um pouco. Tudo isso não interferiu no fato de que a comida era deliciosa e de que tudo ocorreu de maneira agradável. A clientela é composta basicamente por turistas brasileiros, pelo que percebemos, inclusive o menu é traduzido para o português.

Foi minha segunda refeição preferida da viagem: Salmão Terra e Mar, um salmão na chapa sobre aspargos grelhados e avelãs nativas (acompanha ainda um lagostim no espeto que eu dispensei, mas que minha amiga pediu completo). Foi o melhor salmão que comi na vida, derretia como manteiga na boca e o molho com as avelãs e aspargos completavam tudo de maneira perfeita.

Os rapazes escolheram um Arroz Coco, um arroz com verduras, mariscos e gengibre, e um Congro Salteado, congro frito com cebola roxa, ají, tomate e coentro com batatas fritas. Todos concordaram que estava tudo perfeitamente delicioso.

Por fim, as sobremesas. Com tanta comida, nunca tínhamos muita oportunidade de pedir entradas ou sobremesas, mas dessa vez era nossa despedida, e os pratos tinham vindo numa quantidade ideal, sem exageros. Pedimos Torta de Lúcuma (torta de merengue de lúcuma, que é uma fruta peruana, cujo sabor achamos parecido com sapoti), Tulipa de Berries, um mix de frutas ao vinho com gelado de baunilha numa casquinha, e a Torta de La Abuela, a famosa mil-folhas de doce de leite do restaurante, simplesmente sensacional. Esta teria sido a noite ideal para tomar vinho, mas com todo mundo se sentindo um pouco gripado só conseguíamos tomar sucos. Aliás, os meus relatos poderiam se resumir a “O que comer em Santiago sendo abstêmio, alérgico a mariscos ou vegetariano”.
Mais uma vez o restaurante era perto de “casa” e voltamos à pé, curtindo o vento frio com a mão no bolso, com a sensação de que queríamos voltar em breve.

[Parte 1] [Parte 2] [Parte 3]
(Obs: algumas das fotos usadas foram cortesia dos amigos companheiros de viagem).
Para quem quiser visitar o Chile, não deixe de ver esses links abaixo. E caso queiram muito ir a um desses restaurantes, lembre-se de reservar com bastante antecedência.
Postagens sobre o Chile, do Edu Luz
Santiago para Gourmets, da Luciana Betenson
O Centro de Santiago
Onde comer em Santiago
Restaurantes em Santiago
Chile, no Destemperados
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O que comi no Chile, Parte 3

Todos os dias tomávamos café da manhã no hotel mesmo. A melhor parte no café era a tortinha tres leches e a tortinha de pecã com doce de leite. Não tivemos muita sorte com as sobremesas do Chile, mas no hotel essas tortas compensaram. No quinto dia, depois do café, fomos perambular por alguns locais do Centro, em direção ao Mercado Central. Eu imaginava que não iria gostar muito por conta de alguns relatos que já havia lido, mas como dizem ser obrigatório, lá fomos nós. O Mercado é bonito, mas não tem como não pensar em como o de São Paulo é mais agradável. Dizem que é melhor chegar cedo, o que não foi o nosso caso, já era tarde e nem sofremos o ataque dos garçons de que o pessoal tanto fala. Na verdade estava tão lotado que eles nem deram muita bola pra gente. Mesmo assim, conseguimos uma mesa para almoçar no Don Augustos, o mais famoso do mercado, mas a maioria de nós estava meio desanimada para comer lá. O garçon demorou um pouco para atender e foi o golpe de misericórdia: seguimos para nosso próximo destino. Eu já vi comentários de que o almoço no mercado é muito bacana, então é uma questão de experiência mesmo, algumas pessoas vão amar, outras vão achar uma roubada.

Nosso próximo destino era o Pátio Bellavista. É um centro cultural com restaurantes, apresentações artísticas e lojinhas de artesanato e roupas. A intenção era comer no Le Fournil, mas as mesas do restaurante francês estavam sob o sol a pino, então fomos para a sombra do Backstage Experience, um bar/restaurante com um pouco de tudo, onde finalmente tomamos um pisco sour, a bebida local obrigatória. É uma bebida preparada com pisco (aguardente de uva), limão e, em alguns casos, clara de ovo. Lembra muito nossa caipirinha e você pode escolher a intensidade do drink pelas variações no teor de álcool do pisco. No primeiro gole eu achei forte, mas dali a pouco estava descendo macio.

Depois do fracasso do penne no dia anterior, eu tinha que matar minha vontade de comer massas e foi o que acabei pedindo no Backstage. Eu e minha amiga pedimos nhoque: o dela era com manteiga e ervas, o meu com um molho de tomate e bacon. Os rapazes pediram uma lasanha e um filé ao molho de vinho. Com exceção do primeiro prato, que era bom, mas um pouco enjoativo, todos apreciaram muito a comida e os sucos. Mais uma vez, a quantidade era absurda! Do meu prato ainda comeriam 2 pessoas depois que eu terminei. Nossa mesa estava localizada bem no palco do restaurante e foi muito engraçado ter a sensação de que éramos a próxima atração.

Passeamos um pouco pelas lojas do Patio e depois de pegar um taxista que conhecia menos Santiago do que nós, seguimos à pé para o supermercado próximo ao hotel, em Providencia, com a intenção de observar os produtos e comprar chocolates. Os mais comuns que vimos eram da Nestlé e da Costa, uma marca local. A maioria é ao leite com amêndoas, todos deliciosos. O Trencito é tradicional do Chile, parece que antigamente vinha com fotos e informações sobre os trens do país.

À noite estava todo mundo exausto e queríamos comer algo leve perto do hotel mesmo, já que é uma área com muitas opções. Fomos à pé para um quarteirão muito bacana em Providencia, entre as ruas Pedro de Valdivia e Orrego Luco, onde há diversas opções de bares e restaurantes. Consideramos alguns cafés, depois demos uma olhada no cardápio do El Huerto, que é vegetariano, mas não nos animamos muito com o forte cheiro de cigarro. Acabamos ficando no bar chileno Liguria, que era nossa opção do dia anterior, caso não tivéssemos ido à Isidora. Apesar de cansados, ficamos animados com a atmosfera vibrante do local, com a decoração e a boa música. Quando viram que éramos brasileiros convocaram um garçon que falava português. Foi um dos cardápios que tivemos mais dificuldade em entender os ingredientes dos pratos (o local não é voltado para turistas), mas o garçon ajudou bastante. Eles são conhecidos pelos sanduíches, então foi o que pedimos. O sanduíche mais gostoso da mesa foi o de pernil. O nome do que pedi eu não lembro mais, mas era um sanduíche com carne assada, cebola e rúcula (lembrei: era plateada asada, que eles assam no vinho branco por 2 horas). Estava gostoso, porém um pouco seco. O Ric ainda arriscou uma sobremesa: leche asada, um espécie de pudim mais rústico.

A melhor parte de jantar em Providencia era voltar à pé para o hotel, nas ruas limpas e seguras de Santiago, curtindo o friozinho da noite. Continua na Parte 4 (última). [Parte 1] [Parte 2]
O que comi no Chile, Parte 2

No quarto dia no Chile viajamos para conhecer duas cidades litorâneas: Viña del Mar e Valparaíso. Apesar de serem vizinhas, você percebe onde uma acaba e a outra começa: a primeira é mais limpa, cheia de flores e com cara de praia turística, a outra é mais pobre e suja, porém muito mais charmosa.
No caminho para Viña del Mar você pode ver inúmeras vinícolas através da estrada, então não durma no ônibus, pois a viagem por si só já é bem bonita. Chegando na cidade, visitamos alguns pontos turísticos, como o Museu Fonck, onde não entrei, mas tirei foto com o Moai que fica do lado de fora; a Quinta Vergara, um lindo parque onde fica um grande anfiteatro, em que ocorre o Festival Internacional de la Canción de Viña del Mar; e a Praia Reñaca, um lugar bonito, mas que não me tirou tanto o fôlego, talvez porque eu more numa cidade litorânea. A cidade é o destino preferido de quem mora em Santiago nessa época, especialmente pelo clima menos seco.

Como estávamos num ônibus de excursão, não tivemos muita escolha na hora do almoço em Viña del Mar. Ou era o restaurante meio “deprê” indicado pelo guia ou era o bar/restaurante em formato de barco em frente à praia, que pelo menos parecia mais iluminado e vivo: Terrazza di Palli. Bem popular, estilo barraca de praia, mas cumpriu bem seu papel de matar a fome e garantir a vista para o Pacífico. Imagino que quem vá à cidade com maior liberdade pode encontrar inúmeros restaurantes melhores. Para não arriscar, todos pediram salmão, com acompanhamentos e molhos diversos.

Depois do almoço seguimos para Valparaíso, mais especificamente para uma das 3 casas do Pablo Neruda, La Sebastiana. Um lugar incrível e muito bonito, com um simpático café e uma vista maravilhosa para a cidade. Infelizmente, dentro da casa não é permitido fotografar, mas lá você pode ver de perto todos os objetos e móveis do poeta e percorrer os 5 andares ouvindo as descrições de todos os detalhes (em português, com ajuda de um aparelhinho individual programado).

Depois fomos andar pelas ruas da cidade, observando as cores das casas, as ladeiras com seus funiculares, as ruas repletas de pombos e muitas pinturas nos muros. Dizem que à noite a cidade é muito viva, mas infelizmente não podíamos ficar. Caso você se interesse em visitá-la um dia, nesse link tem umas dicas ótimas.

Voltamos para Santiago e à noite, mesmo com muita dor nas pernas depois de tanta ladeira, fomos andar pela Isidora Goyenechea, que é uma avenida com muitos restaurantes, um paraíso! Queríamos comer a famosa pizza do Tiramisú, mas tinha fila até a esquina para entrar. Já era tarde e não pude entrar na Coquinaria também, já estava fechada e era um dos lugares que mais queria ir. Apesar de tudo, ainda havia tanta opção que não sabíamos o que escolher, então fomos vencidos pelo cansaço e entramos no restaurante Bariloche. Eu juro que se eu soubesse que se tratava de uma churrascaria eu jamais teria pedido uma pasta, mas foi o que acabei pedindo na hora, um Penne com almôndegas e pesto. Uma das piores coisas que provei na vida. Apesar da aparência boa, não tinha sabor nenhum, não consegui comer. O Ric teve mais sorte com Escalopes à moda pobre (com ovo frito e batatas), e meus amigos gostaram de seus Salmão Atum com salada e Bife de chorizo. Mas ninguém suspirou, estava apenas bom.

Para compensar, fomos comer sobremesa e tomar um café na tradicional Confiteria Torres. Nada demais também, apesar do ambiente ser muito agradável, as sobremesas eram bem sem graça. Mas foi bom para esquentar, pois nessa noite estava fazendo frio. Ou pelo menos tentar esquentar, já que uma coisa curiosa em Santiago é que o café nunca é tão quente e os sucos nunca são muito gelados.

Continua na Parte 3. [Parte 1] [Parte 4]
O que comi no Chile, Parte 1

Feliz 2012 a todos! No Natal eu sumi um pouco porque passei uma semana no Chile, a maior parte do tempo na cidade de Santiago. Foi uma viagem incrível, e embora eu não costume falar de restaurantes ou viagens aqui, achei que seria uma boa maneira de começar. Infelizmente eu não tirei fotos com a intenção de publicá-las depois, portanto nem sempre elas serão agradáveis, mas fica o registro para quem tiver interesse de conhecer o país, pois muita informação bacana sobre a viagem eu encontrei em blogs, então posso acabar ajudando alguém. Lembrando que sou uma pessoa de vida modesta, então não frequentei lugares muito caros. Não foi uma viagem no estilo turismo gastronômico, os passeios foram a prioridade.

De uma maneira geral, achei a comida com preço muito justo, para não dizer barata, em comparação com a minha cidade. Em todos os restaurantes você irá receber, como cortesia, um cestinho com pães e algum molho ou manteiga para acompanhar, enquanto espera sua refeição. Os pratos sempre são fartos, muitos até exagerados, então pense bem antes de pedir entradas. Em alguns casos nos arrependemos de não dividir. Quase nunca pedimos sobremesa, pois além de não serem boas, nunca havia espaço para tanta comida! O forte mesmo dos chilenos são os peixes e os frutos do mar, mas ao contrário do que me avisaram, digo que há muitas outras opções, tanto para quem é alérgico a mariscos, quanto para quem ama carnes, quanto para vegetarianos, mesmo nos restaurantes mais simples. Além disso, as frutas e os sucos naturais são deliciosos e frescos. Tomei muito suco de framboesa, de laranja e de chirimoya, que é uma espécie de ata deles, que tem o sabor parecido com o de graviola. Apesar da uva ser uma das riquezas do país, não espere encontrar suco de uva em nenhum lugar. Da uva, apenas bebidas alcóolicas: o vinho, o pisco e a chicha. O clima é muito seco, então além de tomar muito suco, ande sempre com uma garrafinha de água.

Ao chegarmos no primeiro dia, era plena noite de véspera de Natal, mas não nos animamos com a ceia do Hotel, que era cara e sem graça. Além disso, serviram um cardápio natalino no avião, então queríamos fugir dessa possibilidade. Como nosso quarto tinha uma varandinha com mesa e vista para a cidade, optamos por pedir, pelo serviço de quarto, um full burguer, que era rápido e certeiro.
No segundo dia, depois de subir o Cerro Santa Lucía e andar muito pelo Centro, paramos no Bairro Bellavista no primeiro restaurante que apareceu na nossa frente: o La Palmera. Simples, com comida ótima e serviço muito eficiente. Os sucos eram sensacionais, principalmente o de laranja. Comemos Salmão na manteiga com purê de batatas (peixe com batatas é o prato mais comum por aqui), Congro com salada e Omelete de legumes com Empanaditas de queijo.

Fomos então subir o Cerro San Cristóban: lá em cima tomamos um Mote com Huesillos, uma bebida típica feita de suco de pêssego com pêssegos cozidos e uma espécie de trigo no fundo. O visual não é muito animador, mas é docinho e refresca. À noite, como era feriado e tudo estava fechado, fomos comer uma pizza na vizinhança, no italiano La Pizza Nostra. O local tem um clima de que já foi melhor, a pizza é razoável e enorme. Eles alegam que é individual, mas é do tamanho das nossas pizzas grandes. Muitas opções de sabores, mas não teríamos escolhido o local se não fosse feriado. De qualquer forma, eles servem um sorvete artesanal de frutas muito bom.

No dia seguinte fomos visitar a vinícola Concha Y Toro e acabamos tendo que degustar vinhos logo cedo. Depois da viagem de volta, arriscamos um almoço no Boulevard do Shopping Parque Arauco: escolhemos aleatoriamente mais uma vez, dessa vez uma franquia do restaurante peruano Tanta. Esta foi uma ótima escolha, já que todo mundo comenta que os restaurantes peruanos são muito bons. Depois de uma delicioso pãozinho (o melhor da viagem) e um suco de framboesa vencedor, na nossa mesa teve: um risoto de frutos do mar picante, um lombo de porco com mandioca e cebolas e um salmão com arroz de choclo. Eu comi um ravióli de queijo de cabra com manjericão, tomates frescos e parmesão. Foi unanimidade o quanto estava tudo perfeito. À noite estávamos muito cansados e fomos no francês Le Bistrot, a um quarteirão do hotel, onde o Ric comeu um Filé ao molho roquefort com batatas confitadas na gordura de pato e eu comi um Crêpe fermière, com frango, cogumelos, cebola e queijo. Pode parecer pomposo, mas nossa conta não deu nem 50 reais. Ambiente aconchegante, porém, como havia muitos fumantes, no final do jantar já queríamos ir embora. Continua na parte 2. [Parte 3] [Parte 4]